Compondo Rastros
Foto: Nabor Quadros (Severinho)
É um cantar que nasceu pelos corredores da fronteira, e há muito tempo é assim, andejar e andejar, distâncias que são encurtadas pelas patas de fletes, e relatadas aqui pelo linguajar próprio, de campo.
Aqui vamos relatar o que vivenciamos, sentimos e até os sonhos que nos rodeiam, a cada passo do flete destino de quando em quando firmamos os arreios do pensamento e paramos n'alguma porteira divisora de razões, daí que brotam as discussões, cada um defende suas origens, peleiam por algum ideal, mas não podemos esquecer de que andamos sempre "Compondo Rastros".
Cada um tem seu passado que cruzou, deixou "rastros", por isso temos que firmar a rédea do destino e seguir firme na estrada que escolhemos, é por aí o caminho que estamos "Compondo Rastros".
Do rastro que me condena
Canto aqui as minhas penas
Colhidas por tantos pagos
Aroma de terra e pasto
Adoçado de sentimento
Que se mesclou aos ventos
Pra compor os meus rastros"
Carlitos da Cunha de Quadros
Santa Maria - 24/07/2010


Radio Fronteira Gaúcha
sábado, 27 de janeiro de 2018
segunda-feira, 13 de maio de 2013
Meu Retorno.

Ter pensamentos por ai, como a estrada que andei, hoje sinto falta de ser estrada, sou querência novamente.
Tem coisas que não saem da cabeça ou do coração.
Hoje um dia bagual de lida, pela manhã um frio áspero, pela tarde um frio com sol tímido dei uma caminhada solito, refletindo a vida, que um homem necessita disso, pra saber onde está, nunca esquecendo de onde saiu.
Tantas coisas me vieram, me fizeram sorrir sozinho, "pero tantas outras não precisava lembrar, de erros que não queria errar e de quem errou comigo, talvez estejam arrependidos, mas pra mim não valem de nada seus arrependimentos.
Então percebi que a vida vale mais a pena ser vivida um passo de cada vez, e que sofrida, todos os obstáculos vencidos serão o rumo para o sucesso.
"Meu mate amargo, ardeu como fel
Enrolando como sovéu o meu pensamento
Uma saudade, não sei de onde veio
Me atorou pelo meio e se foi com o vento."
Carlitos de Quadros
Créditos foto: Bia Barcellos
domingo, 8 de abril de 2012
Querência e fé.
domingo, 3 de abril de 2011
Uma Breve história...
Depois de uns 90 anos de pura miscigenação estavam tão enfurquilhados sobre essa terra que empunharam lanças e garruchas contra os dragões portugueses.
Então, brotava nos campos férteis da história, um caráter que se arrastaria até hoje.
Os campos cheiraram a pólvora e sangue durante 10 anos, nestes, ganhou o reconhecimento. Nos pensamentos de Giuseppe se nota o símbolo de bravura que se tornou o povo, "eu vi corpos de tropas mais numerosas, batalhas mais disputadas, mas nunca vi em nenhuma parte, homens mais valentes, nem cavaleiros mais brilhantes que os da bela cavalaria rio-grandense". Nestas fica claro o porquê das cavalarias de guerra dos países do Cone-Sul serem formados sempre por gauchos.
Os sábios e estudiosos diziam que enfrentar a coroa seria loucura, o fim. Sim, o fim da razão. Loucos eram estes de lanças nas mãos e sangue pelas roupas. Loucos estes que num berro de selvageria davam seu sangue para ser esvaído e sua carne para ser decepada...
Homens que os julgavam loucos, por terra ficaram. Não ganhamos a guerra, não ganhamos dinheiro, mas ganhamos o que todo povo quer, aquilo que foi assinado no 1° de março de 1845, A PAZ. Mas de que nos adianta a paz? Se...
"...Os homens que foram bravos
Voltaram a ser escravos
Do descaso que atropela...”
Rogério Villagran
Davi Canabarro já foi citado como herói; Porém pode-se enganar à um por anos mas não uma
nação inteira. Davi Canabarro, difícil de acreditar, levou nossos negros lanceiros para uma cilada,
pois sabia que seriam libertados.
Tinhamos outros heróis fajutos, claro, porém nenhum deles conseguiria sujar esta história,
este caráter.
Cito o entendimento de Rubin Zaff, de que um povo só se une e se torna forte quando marcas
de tragédia ficam sobre ele.
Cito também esse escritor que, tenho prosperidade de pertencer à dois países ao mesmo tempo
do Brasil, por nascimento, e a República Federal do Pampa, La Pátria Gaucha, também por nascimento mas principalmente por formação histórica.
Guanchos*: Era o povo que o rei da Espanha mandou das Ilhas Canárias para Montivideo/UR.
Ariel Santiago de Quadros
Porto Alegre, Abril de 2011.
sábado, 2 de abril de 2011
Romance de Estrada Longa
o jeito que era meu pago!
A distância planta ausências
pelas estradas compridas,
e o tempo gasta a memória
groseando o cerne da vida.
Nessa época os potrilhos
nasciam, trocavam pêlos,
cresciam e pelechavam,
com maçarocas nas crinas
pelos fundões das estâncias.
Os touros abriam covas,
apartavam as companheiras
formando xucros rodeios
pra viver nos rincões lindos
das invernadas antigas,
onde cimbravam os laços
na lida das campereadas;
e as mãos do vento passando
tiravam levianas plumas
arrancadas uma a uma
dos pendões dos macegais,
replantando na Querência
nas encostas e coxilhas,
Pastos, trevais e flexilhas
e o viço dos pajonais.
Era assim naquele tempo
a campanha do meu pago!
Até mesmo sem saber,
dormia a paz nos pelegos
fincada fundo na alma
e nos galpões dos campeiros.
As águas puras das sangas
brincavam nos pedregulhos,
e quando cheias, saíam
a campo fora do leito;
empurravam as capivaras
para os tranqüilos remansos
nas beiradas dos lagoões!
Nas recorridas de campos
tropeçavam buenos fletes
pelas tocas das mulitas
metidas rasas no chão,
mansamente refugiadas
na maciez dos seus ninhos,
no vigor dos pastiçais!
Ainda lembro, era assim
quando saí do meu pago!
Quando os tahãs levantavam
das cambotas das lagoas
para as alturas do céu,
e os casais de quero-quero
impeçavam a disfarçar
suas lindezas de ninhos
pelas saliências do chão,
a primavera chegava
trazendo flores e aromas,
vestindo com novas folhas
a nudez dos cinamomos.
A vida naquele tempo
se entretia encismada
nos encantos de si mesma!
À tardinha, os maçaricos,
qual ponta escura de lança,
sempre voltavam do sul,
as asas como panuelos
tremulando no espaço
entre o verde das coxilhas
e o sem fim do céu azul.
Nas noites de lua inteira
o sereno temperava
a voz macia das gaitas,
transpondo o melhor das almas
nas plumas dos dedos rudes,
sonorizando as janelas
pelos botões dos teclados;
as emoções retoçavam
na plangência das guitarras;
e as serenatas sobravam
para o tamanho dos ranchos,
expandindo as notas claras
bem além dos pára-peitos;
e entrando pelos portais
com flecos de estrela e lua,
embalavam os sonhos lindos
de tantas moças bonitas.
Passou tudo à meia-rédea
e quase nada sobrou!
A infância nesse tempo,
tinha mais tempo de ser!
Os guris tinham bodoques,
arapucas e mundéus
gados-de-osso ou sabugo
e o lombo dos petiços
para fazer escarcéus.
Era assim naquele tempo,
mas quase nada restou!
Ficou somente a memória
de um dia de primavera
quando saí do rincão.
O sereno ainda goteava
despencando sonolento
do longo beiral de zinco
na varanda do galpão!
Rondando o varal de charque,
do alto das timbauvas,
as calhandritas cantoras
melodiavam nas gargantas
com timbras de amanhecer,
a mais sublime beleza
que um canto já pode ter.
Distraído do silêncio,
um touro berrava ao longe
mergulhando nas canhadas!
As seriemas cantavam
repetindo as clarinadas
que desciam nas ladeiras
na direção dos banhados.
E no açude "das casas",
traíras soltavam botes
formando lentas maretas
como rodilhas se abrindo
no costado do juncal.
Um biguá abria as asas
como quem quer abraçar,
alguém que andava distante
e acabasse de chegar.
E a melena dos salsos
roçava a grama da taipa
lentamente ao balanço
de uma brisa de setembro!
Emalei poncho, encilhei
peguei cavalo de tiro
mais a mala-de-garupa
toquei a vida por diante
para soltar na estrada,
a buscar não sei o que
na incerteza das léguas
pelos volteados caminhos.
Segui o primeiro rumo
que o corredor apontou;
e o tramerio perfilado,
atilhos junto das cavas
como bigodes torcidos,
mudo me olhava passar;
com um cavalo de tiro,
poncho emalado nos tentos
mais a mala-de-garupa
e a esperança no olhar!
Passavam tropas, carretas,
andejos e domadores,
comitivas e tropilhas,
comparsas de esquiladores,
todos "terseando" esperanças
na ilusão dos corredores.
E a cobiça de horizonte
me distanciou prá mui longe
plantando sinais de fogo
junto de muitas aguadas.
E a cada pouso um recuerdo
se estirava na lonjura:
Apenas quem estradeia,
sabe o que vale um momento
quando as lembranças dão volta
enleadas na ternura
e nas razões que detêm,
tironeando o pensamento
pra o meigo rosto de alguém!
Mas tudo ficou prá trás
escondido na distância
disfarçada de horizonte
sem compreender infinitos!
Até que um dia o caminho
que abriga as poeiras cansadas,
confunde o rastro do pingo
e o coração dos andejos;
e mostra mil outros rumos
pra outros idem buscar,
com seus cavalos de tiro
poncho emalado nos tentos
mais a mala-de-garupa
e a esperança no olhar;
e quem sabe iguais a mim
irão minguando esperanças;
Co'a vida longe do pago
para a saudade voltar!
Fonte: Do livro Romance de estrada longa – poemas – Edição: Martins Livreiro – 1995
sexta-feira, 25 de março de 2011
Ainda esses dias...
Verso : trecho da letra Ainda esses dias... de Gujo Teixeira.
Matheus Costa (Dom Pedrito)
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Rancho...
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
A Cincha Que Aperta Tantos...
Bueno, lhes escrevo aqui algo que me vem à tona na cabeça nesse instante, talvez por motivos da nossa realidade humana atual...
Matheus Costa- Dom Pedrito-
Fevereiro de 2011
sábado, 11 de dezembro de 2010
Hoje foi mais que um dia...

E fazer, nada!
domingo, 21 de novembro de 2010
"Pede boca e se agranda"
Monta que resultou o 2° Lugar na modalidade de Basto aberto ao ginete Rômulo Quadros na Expofeira de Bagé 2010